4º Bimestre / Aula 8 - Renascimento comercial e urbano e formação das monarquias nacionais

Os provérbios holandeses é o quadro mais famoso de Pieter Bruegel (1525-1569), considerado o artista mais importante da pintura renascentista flamenga e brabantina. São mais de 100 provérbios do cotidiano medieval representados na obra. Na Idade Média, boa parte da educação popular era feita pela memorização de provérbios, já que as escolas eram raras. 

” A maior parte dos provérbios retratados por Bruegel reproduz cenas de atitudes insensatas, e demonstram o olhar céptico do pintor sobre seus contemporâneos.”(MARIE e HAGEN. 1995)

Renascimento Comercial e Urbano

A idade Média começou com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., e se encerrou com a tomada da capital do Império Bizantino, Constantinopla, pelos turcos-otomanos, em 1453. Esse período costuma ser dividido em dois: Alta e Baixa Idade Média.

A Alta Idade Média estendeu-se do século V ao X. Foi a época de consolidação, na Europa Ocidental, do feudalismo, sistema socioeconômico predominante na era medieval. No Oriente, porém, em vez da descentralização política feudal, o período foi marcado por dois fortes impérios: o Bizantino e o Árabe.

A Baixa Idade Média vai do século XI até o fim do período medieval, no século XV. É quando o feudalismo chegou ao auge e entrou em decadência. Lentamente, ele começou a sofrer transformações que só se concluiriam na Idade Moderna, quando seria substituído, no campo político, pelas monarquias nacionais e, no econômico, pelo sistema mercantilista.

Trata-se de um período histórico que demarca o declínio da Idade Média, fase da história que durou longos séculos antes de alcançar o período conhecido como Idade Moderna. Foi um momento decisivo para várias instituições sociais, econômicas, políticas e religiosas.

A Idade Média costuma ser conhecida como a época em que a economia europeia esteve praticamente estagnada. Essa afirmação é feita porque a maior parte da população vivia nos feudos, que eram grandes áreas cercadas e isoladas uma das outras, com uma economia quase auto-suficiente. Desse modo, costuma-se dizer que o comércio de produtos praticamente desapareceu no período medieval.

Dentre as grandes mudanças e revoluções ocorridas na história ocidental, o renascimento comercial e urbano foi uma das mais importantes, moldando alguns dos princípios que regem nossa organização social até os dias de hoje.

Situado entre os séculos XI e XIII, o renascimento comercial e urbano refere-se a um processo que atingiu a sociedade europeia em vários níveis. Ele coincide com e época conhecida como Baixa Idade Média, momento onde os modelos sociais adotados até então deixaram de funcionar e foram substituídos por outros.

Contexto histórico-social

A Europa passou por diversas transformações que resultaram em grande crescimento populacional, urbano e comercial. Essa Europa com população reduzida, comércio enfraquecido e cidades pouco habitadas foi consequência direta da desagregação do Império Romano do Ocidente e do estabelecimento dos povos germânicos na Europa Ocidental.

As transformações disso resultaram em pestes, guerras e fome, traduzidas em morte. A falta de segurança levou as pessoas a mudarem-se para as zonas rurais a fim de aproximar-se dos locais produtores de alimentos e buscar refúgio junto de algum nobre. Esse fechamento em torno das zonas rurais deu surgimento à feudalização da Europa, enfraquecendo a troca comercial.

Esse quadro manteve-se até o século X, e as mudanças podem ter tido como ponto de partida os avanços técnicos na produção agrícola. Esses avanços garantiram um aumento considerável na produção, com o historiador Hilário Franco Júnior afirmando que, durante a Baixa Idade Média, cada semente plantada resultava, em média, em 5,5 grãos de centeio, 4 grãos de trigo e 3 grãos de aveia|1|. Com base nesse cenário é que tivemos as diversas transformações que originaram o crescimento urbano e comercial.

Renascimento Urbano

O Renascimento Urbano representou uma das vertentes que formaram o movimento Renascentista, ao lado do Renascimento Cultural e Comercial.

As cidades, na maioria das vezes, surgiam ao redor das terras do senhorio (ou seja, do senhor feudal). Com o renascimento urbano, as atividades comerciais foram impulsionadas, tendo no artesanato a principal forma de produção da época.

Os mercadores acentuaram as atividades comerciais a partir do século XI, deslocando-se de uma região para outra, vendendo seus produtos. No século XII, esses mercadores criaram as feiras. As principais delas ficavam na região da atual França, da atual Itália e da Bélgica. Elas exerceram o importante papel de interligar quase todo o continente europeu com o continente africano e asiático.

Vale lembrar que o Renascimento Italiano foi um movimento econômico, artístico e cultural que dominou a mentalidade europeia durante séculos: do XIV ao século XVII. Assim, o Renascimento Urbano está associado ao florescimento e desenvolvimento das cidades medievais, os “Burgos”. Os habitantes dos burgos dedicavam-se ao comércio e à produção artesanal, que era realizada pelo mestre em sua oficina. Seus habitantes eram chamados de burgueses, crescendo em poder econômico de modo que no século XIX formaram a burguesia.

Atribui-se o impulso de Veneza e Gênova ao comércio devido ao fato de sua produção agrícola ser limitada. Assim, no século XI, essas cidades apoiaram o início das Cruzadas, com o interesse de obter mercadorias de luxo existentes no mercado oriental, que havia sido fechado desde a conquista muçulmana. Também ficaram conhecidas por incentivar a Quarta Cruzada, com o objetivo de expandirem seus negócios para as terras do Império Bizantino.


Formação das Monarquias Nacionais

Com o Renascimento Comercial e o surgimento da burguesia na Baixa Idade Média, desenvolveu-se uma visão de riqueza que não se prendia apenas à posse de terras – como era o costume da nobreza feudal –, mas valorizava acima de tudo a riqueza móvel e dinâmica adquirida por meio do comércio.

Pintura “O cambista e a sua mulher”, de Quentin Massys. Retrata a burguesia. 

Essa nova realidade europeia exigia uma nova ordenação política, na qual o Estado assumisse uma função coordenadora dos novos interesses. Foi nesse contexto que se consolidaram as Monarquias Nacionais.

No decorrer da Idade Média, a figura política do rei era bem distante daquela que usualmente costumamos imaginar. O poder local dos senhores feudais não se submetia a um conjunto de leis impostas pela autoridade real. Quando muito, um rei poderia ter influência política sobre os nobres que recebiam parte das terras de suas propriedades. No entanto, o reaquecimento das atividades comerciais, na Baixa idade Média, transformou a importância política dos reis.

A autoridade monárquica se estendeu por todo um território definido por limites, traços culturais e linguísticos que perfilavam a formação de um Estado Nacional. Para tanto, foi preciso superar os obstáculos impostos pelo particularismo e universalismo político que marcaram toda a Idade Média. O universalismo manifestava-se na ampla autoridade da Igreja, constituindo a posse sobre grandes extensões de terra e a imposição de leis e tributos próprios. Já o particularismo desenvolveu-se nos costumes políticos locais enraizados nos feudos e nas cidades comerciais.

Mapa que demonstra as transformações políticas da Europa durante a Baixa Idade Média e o período Moderno.

Os comerciantes burgueses surgiram enquanto classe social interessada na formação de um regime político centralizado. As leis de caráter local, instituídas em cada um dos feudos, encareciam as atividades comerciais por meio da cobrança de impostos e pedágios que inflacionavam os custos de uma viagem comercial. Além disso, a falta de uma moeda padrão instituía uma enorme dificuldade no cálculo dos lucros e na cotação dos preços das mercadorias.

Além disso, a crise das relações servis causou um outro tipo de situação favorável à formação de um governo centralizado. Ameaçados por constantes revoltas – principalmente na Baixa Idade Média – e a queda da produção agrícola, os senhores feudais recorriam à autoridade real com o intuito de formar exércitos suficientemente preparados para conter as revoltas camponesas. Dessa maneira, a partir do século XI, observamos uma gradual elevação das atribuições políticas do rei.

Os principais exemplos de monarquias nacionais são a portuguesa, espanhola, francesa e inglesa.

O processo ocorreu de maneira similar nos países europeus, mas em tempos distintos. Em Portugal teve início no século XII, com a Dinastia de Borgonha (ou Afonsina), sendo mais tarde consolidada pela Dinastia de Avis. Por sua parte, na Espanha, França e Inglaterra, a formação dos Estados Nacionais teve início no século XV.

Na Espanha ocorreu a partir da união dos reinos de Aragão e Castela e seu apogeu aconteceu durante o reinado dos Habsburgo. Ambos os países, Portugal e Espanha, começaram o processo de formação dos estados nacionais após a expulsão dos mouros (muçulmanos).

Na França, considerada o modelo do absolutismo europeu, esse processo se deu ao longo do reinado das Dinastias Capetíngia e Valois. No entanto, será a Dinastia Bourbon que consolidará os monarcas absolutistas da França.

Por fim, na Inglaterra, através das Dinastias Plantageneta e Tudor.

As monarquias nacionais podem ser chamadas de Estado Absolutista, Monarquias Absolutistas ou ainda Estado Moderno.


Atividades


1) A partir dos conteúdos estudados estabeleça quais foram as condições que possibilitaram a Europa viver seu renascimento comercial e urbano. Como esse processo contribuiu para a formação das monarquias europeias?

2) Com a consolidação do estado nacional moderno surgiram as grandes navegações e a partir deles o processo de expansão marítima do século XV e XVI. Pesquise quais foram os principais países envolvidos nesse processo e como ocorreu o processo de expansão marítima europeia.

Referências

Texto explicativo

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https://www.stoodi.com.br/blog/historia/renascimento-comercial-e-urbano/

https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/renascimento-comercial-e-urbano-surgem-os-burgos-e-a-burguesia.htm

https://escolakids.uol.com.br/historia/renascimento-comercial-e-urbano.htm

https://www.preparaenem.com/historia/renascimento-comercial-urbano-europa-no-seculo-xi.htm

https://www.historiadomundo.com.br/idade-media/renascimento-comercial-europa.htm

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Bruegel- Obra completa de pintura.  Rose Marie e Rainer Hagen. Taschen, 1995

Imagens e vídeos

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http://ecamapas.com.br/produto/formacao-e-espanha-e-portugal/

https://www.todoestudo.com.br/historia/formacao-de-portugal

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